Caixa anuncia redução das taxas juros para financiamento de imóveis

Caixa anuncia redução das taxas juros para financiamento de imóveis
maio 28 08:04 2019

 A Caixa Econômica Federal reduziu as taxas de juros para novos contratos de financiamento da casa própria e lançou um programa de renegociação de financiamento imobiliário em atraso no valor de R$ 10,1 bilhões. Os novos contratos seguem indexados à Taxa Referencial (TR), mas as taxas máximas passaram de 11% para 9,75% ao ano, enquanto as mínimas já praticadas por alguns dos concorrentes. 

Os valores valem para as operações que têm como funding os recursos da caderneta de poupança (SBPE) e englobam tanto o Sistema Financeiro de Habitação (SFH), para imóveis de até R$ 1,5 milhão, como o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), acima desse patamar. As taxas de ambos foram igualadas.

O corte de taxas vem num momento em que o governo tenta reaquecer a economia. Ao mesmo tempo, dá mais munição para a Caixa acelerar no crédito imobiliário depois de um recuo nos últimos dois anos, quando precisou equacionar sua posição de capital. O banco estatal já retomou a liderança nas operações com funding da poupança neste ano e, mesmo entre os concorrentes, a expectativa é que continue assim.

Em meados de 2017, o Santander iniciou um movimento de corte nas taxas do crédito imobiliário, seguido pelos demais bancos privados, em resposta à Selic mais baixa. A Caixa demorou meses para acompanhar os concorrentes.

Nesta quarta, após o anúncio da nova rodada de redução, nenhum outro banco tinha previsão de rever suas taxas. No Bradesco, a mínima está em 8,85% ao ano. No Santander, em 8,99%. O Banco do Brasil tem opções a partir de 8,49%. O Itaú Unibanco tem taxas a partir de 8,3%. As condições para tomar um financiamento pelo patamar mínimo variam entre os bancos.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, acrescentou que o banco também vai aumentar a oferta de contratos pela chamada Tabela Price, que prevê um aumento do valor das prestações ao longo do tempo. Hoje, os contratos da instituição fora do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) funcionam essencialmente com base no Sistema de Amortização Constante (SAC) com valores de prestação fixos ou decrescentes.

Segundo Guimarães, a oferta de contratos com custos crescentes pode ter um apelo porque muitos brasileiros enfrentam problemas financeiros que podem ser superados à frente. “Não estamos trocando SAC por Price, a escolha será do consumidor”, afirmou, acrescentando que a iniciativa está em linha com orientação do ministro da Economia, Paulo Guedes, de “deixar o mercado fluir”.

As novas taxas passam a valer a partir da próxima segunda-feira. Guimarães disse que, em poucas semanas, o banco lançará também linhas habitacionais indexadas ao IPCA. Ele reiterou que a modalidade viabiliza a securitização das carteiras de crédito, o que vai gerar mais funding para a Caixa ofertar financiamento habitacional.

Questionado se a alternativa não impõe riscos ao tomador de crédito, no caso de aumento da inflação, Guimarães afirmou que o risco é maior no caso de contratos referenciados à TR. A taxa, atualmente zerada, é fixada pelo governo com base em fórmula que pode ser alterada a qualquer momento pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). “A TR também sobe com alta de inflação, mas ninguém sabe qual vai ser [a taxa]”, disse.

A possibilidade de atrelar os contratos imobiliários a outro indexador que não a TR foi aberta em agosto, quando o CMN aprovou o fim da restrição para contratos que não sejam financiados pelo comprador com dinheiro da sua conta no FGTS. A Caixa é o primeiro grande banco a anunciar a intenção de lançar linhas com IPCA. A questão é tratada com cautela pelos rivais.

Fonte: Valor

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