Pesquisa revela os desafios do empreendedorismo feminino no Brasil

Pesquisa revela os desafios do empreendedorismo feminino no Brasil
agosto 15 15:45 2019

Pelo menos 50% dos novos negócios abertos no Brasil têm uma mulher à frente, sendo que os principais setores liderados por elas no país são de alimentos e bebidas, vestuário e beleza. No entanto, questões culturais e a diferença na remuneração ainda são desafios que as mulheres enfrentam em todo o Brasil ao tentarem percorrer o caminho do empreendedorismo. As conclusões são de duas pesquisas produzidas pelo Banco Mundial e pelo Sebrae, que avaliaram como o país lida com o empreendedorismo feminino.

De acordo com a coordenadora nacional de projetos de empreendedorismo feminino do Sebrae, Renata Malheiros, a pesquisa Empreendedorismo Feminino no Brasil, produzida pela instituição, aponta que, embora a legislação tenha avançado bastante, a cultura ainda representa uma barreira para as mulheres que desejam empreender. “Metade das empresas são abertas por homens, mas 44% das mulheres que empreendem o fazem por necessidade, frente a 32% dos homens. O ideal é empreender por oportunidade”, explicou, detalhando que, nesse último caso, o benefício é que há um maior planejamento antes de se abrir o próprio negócio. “Nós do Sebrae buscamos trabalhar para que a maior parte do empreendedorismo seja por oportunidade”, acrescentou.

A analista ressaltou ainda que é preciso aumentar a presença de empresas lideradas por mulheres em setores altamente inovadores, como robótica, biotecnologia, tecnologia da informação, entre outros. Já o estudo Mulheres, Empresas e o Direito 2019, elaborado pelo Banco Mundial, revela que, em termos globais, o Brasil apresenta uma boa posição no que diz respeito à liberdade para a mulher se deslocar, iniciar um trabalho, no casamento – já que não há lei no país que impeça a continuidade do trabalho depois de uma união, como acontece em outros países –, além da autonomia de poder gerenciar seus próprios ativos, não tendo esse poder outorgado ao marido.

Entretanto, o país ainda peca no quesito remuneração, em que há claras diferenças entre homens e mulheres, bem como na maternidade – já que não há licença parental estabelecida por lei, apenas maternidade. Segundo o Banco Mundial, o Brasil poderia melhorar sua pontuação se introduzisse uma cláusula de não discriminação com base no gênero, no acesso ao crédito.

A desenvolvedora da CGS Consultoria e Sistemas, Tâmela Fama, cuja empresa atua em Campina Grande e criou a plataforma World Ctrl Express Mobile, é uma das mulheres que tiveram um grande desafio na hora em que decidiram empreender: por atuar na área de tecnologia e inovação, que é predominantemente ocupada por homens, enfrentou preconceito devido ao gênero.

Para superar essa barreira, Tâmela contou que foi necessário muito trabalho, comprometimento e foco. “Acredito que as instituições deveriam promover conexões entre mulheres que já passaram por isso e possam compartilhar experiências para, assim, contribuir com o despertar de interesses do empreendedorismo”, destacou.