Ana Goldfard conta sua história de professora a empresária empoderada do setor educacional

Ana Goldfard conta sua história de professora a empresária empoderada do setor educacional
março 29 08:07 2020

Neste mês de março fizemos matérias especiais para o Dia Internacional da Mulher e contamos histórias de empresárias em ascensão na Paraíba que atuam em diversos ramos. Hoje, encerrando nosso projeto, vamos contar a história da empresária Ana Goldfard que é uma das proprietárias da Faculdade Santa Maria em Cajazeiras.

Ao longo de muitos anos a educação e a imagem da mulher dentro dela sempre foi somente associada na parte de ensino, como professoras. Muitas vezes essa era a única profissão exercida por muitas delas, já que o cenário de alguns séculos atrás era muito limitador e pouco permitia maior liberdade para as mulheres exercerem funções de liderança em qualquer área.

A história da nossa entrevistada da matéria de hoje é bem diferente do que era mostrado no século XIX, por exemplo. Lógico que se formos comparar os cenários e situações de cada período nota-se claramente que houve sim um progresso no setor, mas ainda é necessário dar maior relevância e visibilidade para seus trabalhos atualmente, pois, é uma luta diária.

Apesar de haver maior equidade no mercado, vemos que há muito o que ser feito e a história da Ana Goldfard mostra isso, ao quebrar a tradição da mulher na educação. De professora para empresária e uma das proprietárias da Faculdade Santa Maria em Cajazeiras, ela hoje comanda uma instituição que auxiliou o desenvolvimento social e econômico da região.

O INÍCIO E OS DESAFIOS

Com sua vida sempre atrelada à educação, detentora de mestrado e o histórico familiar é voltado para a área, seja direta ou indiretamente, acabou que esse foi um dos pontos motivacionais para seguir no ramo. Partindo dessa premissa, ela juntamente com sua amiga e atual sócia, Sheylla Nadjane tomaram iniciativa de abrir uma faculdade particular em 2002, período que estava havendo um grande interesse e o início do crescimento dessa iniciativa aqui na Paraíba. Contrariando os antecedentes da mulher perante a educação, em que sempre foi estabelecido somente uma única função, Ana, então, toma a frente do empreendedorismo ao abrir uma empresa voltada para o ensino, tomando liderança e quebrando os paradigmas impostos.

Os desafios para a implementação do projeto foi desafiante como para a maioria das pessoas que seguem no ramo do empreendedorismo. Não é fácil colocar em prática um projeto grande e ambicioso quando se tem um capital reduzido. “Eu estava andando de carro com a professora Sheylla pela br, quando nós vimos um local com a placa aluga-se, que era de um restaurante, adentramos e mesmo sem condições de alugar resolvemos apostar mesmo assim.” explica a empresária ao portal Ekonomy sobre os riscos que teve que tomar para seguir adiante com o projeto. Além, é claro, que outras burocracias para a implementação da faculdade foram também complicadas de se resolver, mas que deram certo no final.

Desde o começo, a empresa ter uma aura familiar foi um dos pontos que direcionaram ela até hoje, seja no carinho ou no acolhimento. Apesar do crescimento estrutural e da mão de obra, a Faculdade Santa Maria que começou com  quatro funcionários hoje tem mais de trezentos atuando na instituição. Sem condições de pagá-los nos primeiros meses da faculdade, Ana ainda sim conseguiu encontrar pessoas que se solidarizaram com o projeto e trabalharam de graça até a situação se normalizar. Atitudes como essas ajudaram a empresa ser o que é hoje e com pessoas leais que estão por lá desde o início quando tudo era um pouco incerto. 

MULHER E EMPRESÁRIA

Como mulher a frente de uma empresa, Ana Goldfard teve dificuldades em obter credibilidade juntamente com sua sócia. A imagem de duas mulheres comandando uma faculdade foi difícil de ser estabelecida na cidade e até mesmo dentro da instituição. Para Ana, havia uma certa facilidade em lidar com coordenadoras e professoras do que com os coordenadores e professores, com resistência dos homens ao receber “ordens” dela e até mesmo a própria comunicação era uma dificuldade.

Porém, a parte mais desagradável era que as pessoas não acreditavam que elas eram as donas da Faculdade Santa Maria e que haviam montado ela. “Isso foi questionado várias vezes na imprensa de Cajazeiras, que sempre associava o domínio da faculdade a outras pessoas e não a nós, e com certeza a questão da mulher estava totalmente ligada nisso. Talvez se fosse dois homens que estivessem a frente, provavelmente não teria acontecido nessas proporções que aconteceu essa situação, com certeza não!” destaca a entrevistada.

Estar em uma posição de liderança feminina requer ousadia para encarar situações, infelizmente, comuns no empresariado em que se é minoria. Não se deixar abater ou duvidar da capacidade de conseguir, simplesmente por causa da dúvida que o sistema, o mercado e a sociedade impõe às mulheres que buscam relevância na área é crucial para seguir adiante em situações como essas. “Nunca incomodou a mim ou a Sheylla, acho que isso é o que importa, se tivesse incomodado a gente, se tivéssemos nos colocado em um local menor, talvez essa pancada tivesse sido muito maior, mas nós nunca nos colocamos como inferiores, sempre levantamos e fomos de igual para igual como tem que ser com qualquer ser humano.” destaca.

FUTURO EMPODERADO

Os projetos futuro ainda estão a caminhando para serem concretizados e a construtora Elo Forte é o próximo passo da empresária. Ainda está no começo, mas é mais uma empreitada que irá tirar do papel e assumir a liderança. 

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